Há dez anos atrás eu operei a minha miopia e foi das melhores coisas que fiz na vida. Super indico e amei o resultado, mesmo tendo me tornado uma dependente de óculos escuros até em dias nublados. Pois depois de dez anos dessa liberdade que só um míope sabe que é viver sem óculos eu terei que retornar a esta muleta maldita.
Estiloso para uns, os óculos para mim sempre foram um terror. Mas aí vim pensando no caminho para casa. Fazendo um paralelo com a minha vida os óculos na verdade sempre existiram na contramão do meu estilo de vida. Primeiro, na adolescência, quando o mundo se abria à minha frente com todas as possibilidades que só a juventude nos trás sejam elas positivas ou negativas ele surgiu como um freio, um limitador e um erro em todos os meus modelitos o que na adolescência é um drama à parte. Depois, quando me libertei dos óculos entrava numa fase da vida onde não era adulta nem criança, cheia de convicções imaturas e uma latente insegurança de sentimentos e atitudes que só os 20 e poucos anos nos trazem. Mas era livre dos óculos! Enxergava longe e como ex-míope então, com olhos de lince. Mas a vida, ah, essa eu via embaçada e muitas vezes de maneira bem equivocada algo que nos damos conta depois com a tal da maturidade.
Cá estou eu agora, na plenitude de sentimentos, posturas e ideias e tenho novamente de por os óculos como numa metáfora de que apenas sou livre com auxílio “de aparelhos”. Foi chato saber que tenho que usá-los novamente. Sou grata aos dez anos que eles saíram da minha vida e não vou me lamentar por tê-los novamente na bolsa. Sim, ainda não é para usá-lo como antes. Apenas usarei de vez em quando. Num filme com legenda, no final de um dia inteiro olhando para uma tela e no fim do dia para enxergar o número do ônibus (a maldita hora que “todos os gatos são pardos” é o TERROR para quem é míope).
Bem vindo novamente à minha vida. Só não se sinta o senhor da minha vida novamente, por favor. A senhora da minha vida hoje e sempre
sou eu.

Nenhum comentário:
Postar um comentário