sexta-feira, 14 de agosto de 2009

As vespas

Será que existe pior sensação do que se tornar a pior versão de si mesmo?
Ver que você é tão inútil, tão vazia e tão insignificante quanto muitos outros que você com certeza apontaria?

É algo mais que humilhante retirar a carapaça a qual nos mantemos como seres sociais e vermos o quão suja é nossa alma diante de todo o resto. Na verdade, acreditamos que essa carapaça seja a nossa pele, mas ela não é. Esta, apenas nos protege a fim de que ninguém perceba que somos seres absolutamente falíveis.

Pior que ter a carapaça perdida, é sentir-se desnuda em frente a alguém que já te conheça o suficiente para ver além desta e apontar os defeitos e imperfeições que talvez sejam duradouros e que talvez você não tenha percebido como começou mas sem dúvida sabe no que se transformou.

Parecer forte diante da humanidade é algo infalível para mantermos a cautelosa distância, mas e quando se chega mais perto? O que fazer quando alguém retira as suas máscaras e despe-te da carapaça? No momento minha resposta é a mais infeliz das respostas. Sinto-me nua. Sinto-me imunda. Sinto-me tão envergonhada quanto aquele sonho de estar pelada no meio da rua.

Não há o que esconder. Está merda sou eu! Coberta de defeitos, com qualidades totalmente ofuscadas por uma incompreensível incapacidade de não errar.

Que diabo de ser humano falível sou eu?
Que triste e infeliz existência é essa?
Que amargura é essa que me consome e transborda pela minha boca?
Que infelizes palavras são essas com tanto poder para fazer o mundo voltar-se contra mim?
Que falta de atitude é essa, que me faz atrair tanto desgosto e que não me dá energia para lutar?

E ao lutar por mim, enfim, vestir a carapaça de novo e não permitir que ninguém mais me dispa novamente. Jamais.

Um comentário:

Andre de Lemos disse...

O texto é forte, imagino seu estado de espírito. Por isso, privar-me-ei de comentá-lo.

Sinto saudades de você, minha cara. E seja bem vinda de volta ao mundo das letras, do descarrego verborrágico. rsrs...

Percebo pelo texto que palavras são mais do que necessárias, certo?

Aqui também são...

Se precisares de um leitor, sabes como me encontrar.

Beijos,
A.