segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Pensamentos flutuantes

"And in the end,
the love you take
is equal to the love
you make."
(Lennon e McCartney)
“Nada de grande se realizou no mundo sem paixão(...)São precisamente as paixões que, na história, agem como forças naturais não ulteriormente separáveis, como elemento ativo do processo, como propulsores da máquina da história” (Hegel)



A vida ainda é muito simples, infelizmente, nós, seres humanos, criados como ser pensantes destruímos um pouco o ideal de que por sermos capazes de raciocinar, somos então superiores. E assim sendo, caminhamos para a destruição total a passos largos, porque já que nos sentimos superiores olha o que a humanidade fez no planeta e teima em continuar fazendo. Olhe para Israel e Palestina, Sérvia e Bósnia, Itália e imigrantes, Tibet e China e agora para Rússia e Geórgia. São tantos os conflitos, tanta é a barbárie que fica difícil olharmos para o mundo e sermos positivos como Rousseau, é cada vez mais nítido que Hobbes era quem estava mais certo: “O homem é o lobo do homem”.

Infelizmente, me recuso a aceitar isso. Talvez fosse mais fácil, mas eu não consigo aceitar que nós podemos ser tão diabólicos. Na verdade consigo, mas não posso fazer parte nem admitir que bebês lindos cresçam e se transformem em capitalistas workaholics que passam por cima de outras pessoas, sejam colegas de trabalho ou até mesmo de nações ainda dependentes financeiramente de outras. Pessoas que em nome da luxúria, passam por cima do sentimento das pessoas que os amam, em nome do prazer imediato se fecham em seu mundo de vícios e em nome do dinheiro se tornam cada vez mais máquinas com uma caixa registradora no lugar de sua consciência.

A humanidade visivelmente está em colapso e talvez seja eu, que meio flaneur pós-moderna vejo a loucura das ruas, do trânsito, dos morros cariocas, das festas e de tudo a meu redor, estar praticamente a ponto de explodir a qualquer momento. A impressão que dá é que cada um está programado para o apocalipse e ele é aqui e agora, portanto salve-se quem puder, ultrapasse o sinal vermelho, se entorpeça mais um pouco, dê mole para o amigo do seu namorado, porque afinal, o mundo está acabando mesmo.

Isso está nos destruindo e nos envelhecendo a passos largos, estamos nos descontrolando por tudo e estamos deixando de lado as coisas que de fato importam e que são justamente as mais bem exploradas pelos comerciais, que absolutamente, não podem ser o “I Ching” para uma vida melhor já que a eles só interessa vender.

Não importa se temos ou não a vida que sonhamos quando tínhamos 10 anos de idade e achávamos que não conseguiríamos trabalhar como nossos pais. O importante não é o sucesso alcançado e sim reconhecer a beleza de ter lutado, de ter se esforçado e, é claro, no fim de ter vencido. Mas é o caminho, a trajetória da nossa vida, quando estamos geralmente focados apenas no resultado, é nesse momento em que somos mais felizes. É quando chegamos cansados mas recebemos uma promoção, um reconhecimento ou uma simples boa nota numa prova.

É ruim estarmos sozinhos quando olhamos ao redor e percebemos que a “humanidade” está acompanhada. Mas estar junto é sinônimo de felicidade? Ter alguém a seu lado, não importando quem seja, não priorizando este relacionamento na sua vida, é sinônimo de relacionamento? Estar namorando, casado, qualquer que seja o rótulo do relacionamento é comprometer-se com o outro, é querer conhecer e conhecendo é pertencer a vida daquela pessoa. Um relacionamento não é um parecer-se com o outro ou ter os mesmos gostos e os mesmos hábitos. É enamorar-se com um sorriso, em vê-lo(a) com uma roupa nova, é ver a pessoa amada crescer e envelhecer a seu lado e senti-la presente mesmo nos momentos em que ela sequer está a seu lado. É querer ela em todos os lugares, mas tê-la apenas em mente em alguns, porque ninguém é gêmeo siamês para andar somente junto. É alegrar-se em ver o ser amado, é sorrir-se lembrando de situações felizes, é entregar-se sem medo e ver que é correspondido. É aprender a ser melhor, é estar conhecendo sempre coisas novas, é interessar-se por aquilo que mais empolga aquela pessoa, é ver-se nos olhos inebriados dessa pessoa que tanto lhe quer bem. Quantos casais vemos que simplesmente se aturam dia após dia como se fosse uma obrigação TER alguém ao seu lado e não AMAR esse alguém.

Temos de nos dar conta de que a vida pode não ser fácil, pode nos fazer chorar muito, pode nos derrubar muitas vezes, mas não importa quantas vezes nos sentirmos derrotados e infelizes. Somos vencedores por estarmos aqui, por respirarmos, por estarmos vivos e sendo assim, o mundo é o limite para todos nós, basta a gente querer e buscar nosso espaço, sem passar a perna em ninguém e sem machucar os outros. Às vezes, sem querer acabamos ferindo alguém, mas temos de ter a honra de reconhecer nossos erros e, se for o caso, voltar atrás, mostrar que erramos porque afinal, somos falíveis sim, e daí? Não é vergonha nenhuma errarmos, nos desesperarmos e nos sentirmos tristes. Maldita seja essa sociedade hipócrita que nos força a sermos sempre felizes e sorridentes. Somos seres felizes graças à tristeza, foi ela quem nos ensinou o valor de ser feliz, se fôssemos sempre felizes não daríamos valor algum a nossa felicidade.

Para nos mantermos sãos física e mentalmente, devemos nos encontrar com as pessoas que nos fazem bem, nos alegrar com o sorriso de uma criança, com uma borboleta que pouse em nosso nariz. Devemos aprender a ser pessoas mais simples, mais honestos conosco e com o mundo, sem ferir ninguém devemos nos comprometer a ser mais verdadeiros. Devemos ser mais pacientes com os mais idosos, devemos tentar acompanhar a energia das crianças, devemos tentar amar até aquelas pessoas que para nós são insuportáveis, mas devemos buscar o porque disso e dar uma chance a elas. Se não conseguirmos sermos um catalisador de paz, amizade, bondade e compaixão, como desejaremos a paz? Se não conseguirmos amar ao próximo, expressar nosso amor a quem a gente ama, ser amoroso(a) com quem nos cerca, como o mundo se tornará mais amável? A grande revolução do terceiro milênio se dá da maneira mais simples e tem de ser um compromisso de cada um de nós: começa dentro de nós, alcançando primeiramente nossos familiares e amigos, chegando até a humanidade e porque não ao planeta. Assim seja.

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