quinta-feira, 6 de março de 2008

Diáspora de um sentimento nobre

Estamos vivendo a encruzilhada do milênio. Conseguimos tudo! Liberdade sexual, mulheres em pé de igualdade com os homens no mercado de trabalho, tecnologia, saúde... Tudo evolui a passos largos e nos vemos perdidos diante de tanta informação.
Mas e o ser humano em si? Suas fragilidades, suas virtudes, seus medos e incertezas, seus sonhos e desejos?
Está tudo tão confuso. Tão dissimulado. Tão fast food. Nossos sentimentos são vexatórios diante de uma sociedade marcadamente impulsiva. Desejar e respeitar o outro parece estar cada vez mais em desuso. Vivemos na sociedade de mercado, onde a oferta é grande e temos que sucumbir a ela! Ficamos, pegamos, comemos! Usamos uns aos outros sem sequer conhecermos o outro, sem nos preocupar com quem é esse outro. Dani-se o humano! Queremos a carne! Beija, esfrega, excita, passa a mão, fode e... vaza!
Compromisso? Já temos tanta coisa a fazer... Conhecer o outro e aprofundar num relacionamento... aff... Que perda de tempo! Todos não prestam! Só existe gente “safada” no mundo. E enquanto isso... vamos comendo e sendo comidos de maneira que mais parecemos xepa de feira!
Nós somos devorados por esse consumismo de pessoas sem nos darmos conta de que estamos sendo reprimidos naquilo que somos mais autênticos. No afeto. Seres humanos necessitam de carinho, atenção, conversa, compreensão, compaixão e claro, ser comido também! Mas com amor... sem ser usado e nem precisar usar alguém.
Não é um pecado termos defeitos horrorosos que tentamos esconder nos primeiros encontros amorosos, mas que com a convivência começam-se a ser complicados de disfarçarmos. E essa é a graça! Aquele defeito que para você pode ser o fim do mundo, para a outra pessoa pode ser até engraçado. Ela pode com a convivência, te ensinar que não se pode ser assim e te faz mudar, para melhor! Isso não tem preço. Isso você não arruma numa night, numa micareta, nem numa cama fria de motel. Isso a gente encontra quando duas almas se encontram apenas para tentar conviver, se conhecer e baseadas na máxima vontade pessoal de entender o outro e estar ao lado desse outro.
Mas infelizmente isso está em desuso até mesmo para quem optou bravamente em se tornam um casal. Parece serem dragados para o turbilhão do merchandising erótico onde todos TEM de ser plasticamente bonitos, futilmente felizes e absolutamente sem defeito.
Pobre alma podre. A grandeza do ser humano são seus defeitos, que tornam suas qualidades muito mais exuberantes. Pobres casais fúteis, que ao invés de respeitar o outro querem lapidá-lo de acordo com essa lógica ilógica.
Que um dia consigamos encontrar a nossa companhia certa e que consigamos realizar o mais sublime e o mais difícil de um relacionamento. O encontro de duas almas que se encontram e conversam para o melhor de sua convivência, para o enobrecimento do sentimento que os uniu e para a compreensão do outro como um universo a parte.
Isso não se compra, não se puxa pelo cabelo, isso não se encontra numa boca beijada por 17 antes de você. Isso apenas se sente e quem já sentiu isso sabe o quanto é gratificante termos isso em nossa vida. Mesmo que por um curto período de nossa vida, mesmo até que por alguns segundos na sua imaginação.

Um comentário:

Bia disse...

Rasô!Adorei!