Que vontade é essa que eu sinto de me tomar num gole só? Que instante é esse onde eu não mais me vejo e nem mais me encontro?
Que medo é esse de dar um passo, de andar sozinha, de ser eu mesma?
Que dificuldade é essa?
Será que foi essa a sensação que tive quando comecei a engatinhar?
Será que se mover é tão mais difícil do que ser adulta?
E a dor sufocante do ar pela primeira vez nos pulmões? Deve ter sido desalentadora. Um trauma que nem Freud saberia explicar. Talvez não haja maior desafio no mundo contemporâneo que dar o grande passo. Aquele o qual parece ser tão fácil para outras pessoas. As outras pessoas. Que mania temos de olhar para os lados e só tomarmos também como exemplo o bem sucedido.
Bendita seja a sociedade capitalista que nos mostra que para cada bem sucedido há milhões de seres explorados. Bendito também morar no Rio de Janeiro, que nos engole a cada dia com sua explícita desigualdade social.
Nossa, como pude dar graças a algo tão contra meus princípios, tão contra meus ideais... é talvez eu esteja apenas aposentando a minha camisa do Che. Apenas começando a ver no horizonte que há algo de muito bom. Algo que também me afastará um pouco dos meus sonhos, dos meus desatinos para cair de vez e de cara no mundo real.
É. Passei em mais uma prova. E que vazio é esse que eu sinto? É o vazio já que a minha alma está indo embora...
sexta-feira, 28 de março de 2008
quinta-feira, 6 de março de 2008
Diáspora de um sentimento nobre
Estamos vivendo a encruzilhada do milênio. Conseguimos tudo! Liberdade sexual, mulheres em pé de igualdade com os homens no mercado de trabalho, tecnologia, saúde... Tudo evolui a passos largos e nos vemos perdidos diante de tanta informação.
Mas e o ser humano em si? Suas fragilidades, suas virtudes, seus medos e incertezas, seus sonhos e desejos?
Está tudo tão confuso. Tão dissimulado. Tão fast food. Nossos sentimentos são vexatórios diante de uma sociedade marcadamente impulsiva. Desejar e respeitar o outro parece estar cada vez mais em desuso. Vivemos na sociedade de mercado, onde a oferta é grande e temos que sucumbir a ela! Ficamos, pegamos, comemos! Usamos uns aos outros sem sequer conhecermos o outro, sem nos preocupar com quem é esse outro. Dani-se o humano! Queremos a carne! Beija, esfrega, excita, passa a mão, fode e... vaza!
Compromisso? Já temos tanta coisa a fazer... Conhecer o outro e aprofundar num relacionamento... aff... Que perda de tempo! Todos não prestam! Só existe gente “safada” no mundo. E enquanto isso... vamos comendo e sendo comidos de maneira que mais parecemos xepa de feira!
Nós somos devorados por esse consumismo de pessoas sem nos darmos conta de que estamos sendo reprimidos naquilo que somos mais autênticos. No afeto. Seres humanos necessitam de carinho, atenção, conversa, compreensão, compaixão e claro, ser comido também! Mas com amor... sem ser usado e nem precisar usar alguém.
Não é um pecado termos defeitos horrorosos que tentamos esconder nos primeiros encontros amorosos, mas que com a convivência começam-se a ser complicados de disfarçarmos. E essa é a graça! Aquele defeito que para você pode ser o fim do mundo, para a outra pessoa pode ser até engraçado. Ela pode com a convivência, te ensinar que não se pode ser assim e te faz mudar, para melhor! Isso não tem preço. Isso você não arruma numa night, numa micareta, nem numa cama fria de motel. Isso a gente encontra quando duas almas se encontram apenas para tentar conviver, se conhecer e baseadas na máxima vontade pessoal de entender o outro e estar ao lado desse outro.
Mas infelizmente isso está em desuso até mesmo para quem optou bravamente em se tornam um casal. Parece serem dragados para o turbilhão do merchandising erótico onde todos TEM de ser plasticamente bonitos, futilmente felizes e absolutamente sem defeito.
Pobre alma podre. A grandeza do ser humano são seus defeitos, que tornam suas qualidades muito mais exuberantes. Pobres casais fúteis, que ao invés de respeitar o outro querem lapidá-lo de acordo com essa lógica ilógica.
Que um dia consigamos encontrar a nossa companhia certa e que consigamos realizar o mais sublime e o mais difícil de um relacionamento. O encontro de duas almas que se encontram e conversam para o melhor de sua convivência, para o enobrecimento do sentimento que os uniu e para a compreensão do outro como um universo a parte.
Isso não se compra, não se puxa pelo cabelo, isso não se encontra numa boca beijada por 17 antes de você. Isso apenas se sente e quem já sentiu isso sabe o quanto é gratificante termos isso em nossa vida. Mesmo que por um curto período de nossa vida, mesmo até que por alguns segundos na sua imaginação.
Mas e o ser humano em si? Suas fragilidades, suas virtudes, seus medos e incertezas, seus sonhos e desejos?
Está tudo tão confuso. Tão dissimulado. Tão fast food. Nossos sentimentos são vexatórios diante de uma sociedade marcadamente impulsiva. Desejar e respeitar o outro parece estar cada vez mais em desuso. Vivemos na sociedade de mercado, onde a oferta é grande e temos que sucumbir a ela! Ficamos, pegamos, comemos! Usamos uns aos outros sem sequer conhecermos o outro, sem nos preocupar com quem é esse outro. Dani-se o humano! Queremos a carne! Beija, esfrega, excita, passa a mão, fode e... vaza!
Compromisso? Já temos tanta coisa a fazer... Conhecer o outro e aprofundar num relacionamento... aff... Que perda de tempo! Todos não prestam! Só existe gente “safada” no mundo. E enquanto isso... vamos comendo e sendo comidos de maneira que mais parecemos xepa de feira!
Nós somos devorados por esse consumismo de pessoas sem nos darmos conta de que estamos sendo reprimidos naquilo que somos mais autênticos. No afeto. Seres humanos necessitam de carinho, atenção, conversa, compreensão, compaixão e claro, ser comido também! Mas com amor... sem ser usado e nem precisar usar alguém.
Não é um pecado termos defeitos horrorosos que tentamos esconder nos primeiros encontros amorosos, mas que com a convivência começam-se a ser complicados de disfarçarmos. E essa é a graça! Aquele defeito que para você pode ser o fim do mundo, para a outra pessoa pode ser até engraçado. Ela pode com a convivência, te ensinar que não se pode ser assim e te faz mudar, para melhor! Isso não tem preço. Isso você não arruma numa night, numa micareta, nem numa cama fria de motel. Isso a gente encontra quando duas almas se encontram apenas para tentar conviver, se conhecer e baseadas na máxima vontade pessoal de entender o outro e estar ao lado desse outro.
Mas infelizmente isso está em desuso até mesmo para quem optou bravamente em se tornam um casal. Parece serem dragados para o turbilhão do merchandising erótico onde todos TEM de ser plasticamente bonitos, futilmente felizes e absolutamente sem defeito.
Pobre alma podre. A grandeza do ser humano são seus defeitos, que tornam suas qualidades muito mais exuberantes. Pobres casais fúteis, que ao invés de respeitar o outro querem lapidá-lo de acordo com essa lógica ilógica.
Que um dia consigamos encontrar a nossa companhia certa e que consigamos realizar o mais sublime e o mais difícil de um relacionamento. O encontro de duas almas que se encontram e conversam para o melhor de sua convivência, para o enobrecimento do sentimento que os uniu e para a compreensão do outro como um universo a parte.
Isso não se compra, não se puxa pelo cabelo, isso não se encontra numa boca beijada por 17 antes de você. Isso apenas se sente e quem já sentiu isso sabe o quanto é gratificante termos isso em nossa vida. Mesmo que por um curto período de nossa vida, mesmo até que por alguns segundos na sua imaginação.
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