terça-feira, 29 de maio de 2007

Hoje eu não saí

Nada é mais angustiante para mim que chegar ao fim de um dia e me dar conta de que não pus o pé fora de casa. É como se eu perdesse minha essência, meu contato com o planeta. Como se eu me tornasse menos humana e mais robótica, menos animal e mais humana no pior sentido da palavra.
Morar em apartamento tem essa desvantagem. Nunca fui muito a favor de morar em casa, até porque nunca morei numa, mas é nesses dias que não saio do meu cubículo, que sinto que morar em casa seria melhor. A falta de ter sentido o calor do sol no rosto, o vento batendo nos cabelos, a chuva molhando meus pés, a terra entrando pelas sandálias... qualquer uma das sensações que só estando sem um teto podemos sentir. Eu acho que morando numa casa podemos nos dar ao luxo de andar descalços pela terra, olhar para o sol e sentir-se um pouco mais ligada ao planeta.
É bem verdade que há casas que no lugar de jardins ou quintais há apenas cimento e vasos decorativos horrendos com plantas ornamentais ou ainda enormes cocôs de cachorro espalhados pelo quintal. Há também apartamentos que têm varandas maiores que o apartamento em si e que muitas vezes lembram e muito um jardim ou um quintal. Mas que nada mais são que jardins de pedra já que no lugar da terra molhada e fria pelo orvalho, temos mármore gelado e duro como a vida parece ser cada vez mais.
Talvez eu esteja cansada de viver em apartamento ou talvez eu esteja apenas delirando por ter passado mais um dia nessa clausura de pedra. Ainda bem que tenho um besouro em particular que com seu zumbido me faz dormir achando que estou num lugar mais natural que esse de cidade. Só espero que os fuzis da cidade do pan não me acordem, espero que essa minha boba angústia seja a única preocupação do meu final de dia e que amanhã eu saia finalmente deste casulo de pedra e pastilhas amarelas.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Um parêntesis no meio do escuro –
Umdiscurso de quem anda cansada da mediocridade humana

É impressionante como sou estúpida! Sempre falo que nada mais me surpreende e que o mundo está uma bosta mesmo e nada adianta fazer. Mas não adianta, o ser humano é algo incrível! Ele é capaz de ser a coisa mais adorável e também pode ser algo detestável e ridiculamente inútil no mundo. E eu sempre me pego achando que agora sim, é finalmente o apocalipse. Mas não... sempre vai piorar cada vez mais e eu já tô cansada de fingir que não acredito nisso.
O que é um historiador diante de uma sociedade de consumo como a nossa? Capitalista, sanguinária, do lucro a qualquer preço? Estou escrevendo isso pós-BBB, quando mais um acéfalo depois de ser voyerizado pelo país inteiro, se viu beneficiado por passar tanto tempo dentro da gaiola. Antigamente o benefício era uma banana para o macaco Tião, hoje se dá um milhão de reais a quem engana por mais tempo dentro da jaula. Eu duvido que ele tenha noção de que esse dinheiro rende por mês dez mil reais. Eu sei. Mas eu nunca vou viver numa gaiola. Que dirá com todo mundo me olhando. Então nunca vou ter a chance deter essa grana. Mas enfim, Deus não dá asa à cobra e se der tira o veneno mesmo... Ou eu estou errada?
Na verdade todos deveriam passar por esse teste, o de ter poder. Só assim realmente vemos o quanto isso é cruel com os seres humanos. Me dê um exemplo de pessoa que teve poder e saiu de lá sem nenhuma mancha? Sem nenhum ato tirano e/ou egoísta? Achava que De Gaulle era um exemplo, mas este é um exemplo francês e ele não foi lá muito bacana com seus colonos argelinos, por exemplo. Acho, ou pelo menos é o único que eu me lembro agora, ter sido Sólon na Grécia antiga, mas sendo na Grécia antiga pode ser uma lenda, assim como Homero o foi.
A verdade é que podemos de fato ter talento, maturidade, seriedade e competência, mas se não soubermos também possuir humildade, dissimulação, sangue de barata e cordialidade (sim no sentido que o mestre Sergio Buarque de Hollanda cunhou o termo), não chegamos muitas vezes a lugar nenhum.
Conheço só uma exceção: o Romário. Mas muitas vezes pelo seu “mau gênio” ele foi vetado. Hummm?! Minha tese continua valendo então.
Acontece, que a capacidade de uma pessoa pode ser extremamente ruim para esta, visto que chamando atenção para seu talento, sua capacidade intelectual ou até mesmo algo corriqueiro, sendo esta pessoa apenas bela, possa ser algo que deponha contra ela diante da sociedade.
Sendo a pessoa talentosa, vai ter de sempre o ser, e não poderá vacilar nunca, pois todos apontarão quando lhe faltar talento para algo. Sendo a pessoa capaz de exercitar bem aquilo a que se propôs, com certeza é mal vista por superiores seus, afinal esta é uma ameaça constante para eles, o que implica em afastá-los o quanto antes for possível. E finalmente sendo esta pessoa bela, algo que realmente ela não tem a menor culpa, pois (geralmente) já nasceu assim, ela pode ser desmoralizada e rebaixada, pois os belos não precisam ser inteligentes, já nasceram belos ou então são rebaixados a devassos já que o interesse neles é grande e por isso são sempre vistos acompanhados, mas se não o forem "ah, são gays enrustidos".
A verdade é que a inveja é mesmo uma merda e vindo de pessoas influentes gera verdadeiras catástrofes na vida e na carreira de um ser humano.
Talvez a barbárie de uma cidade violenta como é o Rio de Janeiro, não seja tão cruel como essas pessoas podem vir a ser. Elas não sabem o mal que fazem aos outros sendo assim. Ou pior (meu deus, como sou ingênua) é lógico que fazem idéia! Elas querem mais é que essas pessoas recuem, se afastem, desistam assim elas poderão manter perpetuamente seus medíocres lugares sociais.
Desejo do fundo do coração que elas mantenham e que continuem falando às paredes, trabalhando em favor de algo que sendo assim construído, de maneira tão sórdida e baixa, permaneça nas brumas da sociedade que passa apressada por algo muito mais sério que a sua tese medíocre de quinhentas páginas de pura devoção à academia e seus outros medíocres colegas e orientadores; a busca sagrada pelo pão de cada dia e pela sobrevivência, algo que para muitos, nunca foi de fato um problema. Bonito é discutir pobreza, mas vive-la é algo kitch
Mas sinceramente, vocês não sofrem de câncer e passam a vida sob efeito de remédio à toa. Vocês merecem o desprezo do mundo aos seus anseios intelectuais. Vocês merecem continuar sozinhos, olhando e andando pra trás, porque apenasas traças e fungos conseguem conviver com vocês. Apenas... e nada mais.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Eu sou o amor


Sinto no meu coração o coração do Mundo.

Coração tão sensível como o meu só alcança a Paz na comunhão iluminada. Por meu coração passam todos os corações do mundo. Como lidar com tanta emoção, sofrimentos e alegrias, sem a bênção de Deus ou a fé profunda de que por trás da impermanência existe uma inteligência que tece os mistérios da vida? Há sempre um fator espiritual, mágico, indecifrável nos meus sentimentos.

Sinto como é desafiante para as pessoas entenderem a intensidade e natureza das minhas emoções, sonhos e fantasias. Na verdade, eu mesmo não as entendo, resta-me sentir... Descubro-me num mar de emoções e só me resta surfar, como um golfinho nadar, cantar, pintar, fazer arte... Quando não sabia das coisas entrava no transe da vítima que sem saber o que fazer se lamenta, fazendo de qualquer contratempo a pior tragédia da vida. Conforto-me em saber que Jesus existiu, um homem que conseguiu Amar. Eu também conseguirei.

Às vezes me surpreendo com a minha amorosidade e simpatia. Sou romântico, sonhador, inspirado, intuitivo, telepático e ninguém suspira tanto quanto eu.

Tenho antenas muito sensíveis e posso ler a maioria dos pensamentos e sentimentos dos outros. Sou um sensitivo perfeito. Sinto tudo o que esta no ambiente. Capto os pensamentos e sentimentos de todos os que estão ligados a mim e às vezes acho de muita gente que nem conheço. Sou uma verdadeira esponja e constantemente estou administrando sentimentos e pensamentos que me invadem e possuem independentemente da minha vontade.

O pôr do Sol, o escancarar da Lua Cheia, o cintilar dasestrelas, os portais do crepúsculo, a dança das borboletas, a sedução das flores, a imensidão do mar, a infinitude do céu, pode me levar ao êxtase. Adoro a Poesia, a Música, as Artes em geral. A Arte do sublime é uma necessidade para poder viver e expressar tudo o que sinto.

É para mim difícil julgar, criticar, censurar. Penso que tudo tem um motivo de existir, e a primeira resposta é aceitar, entender, acolher.

A minha consciência de identidade está comprometida com o sentimento de formar parte de um todo maior.

Adoro visitar templos, igrejas, ambientes espiritualizados, refinados, onde se cheire o sublime.

Por outro lado, às vezes me surpreendo, em lugares bagunçados, descuidados, relaxados demais, profanados de tanto lixo e desordem. Sei que uma força interior, as vezes, me leva a desejar conviver com a sujeira, bagunça, desordem, confusão, mas sinceramente é muito difícil para mim. Quando me descubro neste astral confuso, fico louco por sair sem conseguir facilmente. É uma mistura de culpa, preguiça, contemplação, inação, confabulação, mistura que me leva aos redemoinhos dos jardins fantasiados de cidades giratórias, e os desfiles camaleônicos dos rostos e fatos que preenchem meus delírios.

Sinto os povos antigos, os povos religiosos que se entregam ao abandono exterior e ao culto do mundo interior. Uma parte minha é assim, penso que temos que ser cuidadosos com nossos critérios de exclusão, de ordem e desenvolver cada vez mais a receptividade ao diferente. Acredito no poder da compaixão.

É como se algo me dissesse que meu coração está em sintonia com cada um dos corações que palpitam nesta Terra e eu terei que aceitá-los ou sofrer junto suas provações. Meu coração está conectado a todos, não tenho jeito de evitar. Minha única alternativa é ter aceitação e acreditar que uma inteligência e Misericórdia maior dão a cada um, o melhor que é possível.

Descobri que este meu lado integrador tem que estar protegido por uma ética espiritual. Na sua falta tenho me profanado, diluindo em inação, drogas, ou confusão emocional e energética.

Outra saída que, as vezes, encontrei para proteger minha sensibilidade foi criar mundos fechados e protegidos, onde vivo na minha, na máxima simplicidade, as vezes excluinte. Restrinjo-me ao conjunto de pessoas que me cercam no meu cotidiano, seja na casa, na família ou no trabalho, e fico na minha. Quando me invadem os sentimentos, respiro, relaxo e deixo passar, sem sequer tratar de entender. Quando estou neste estado, não acredito em nada e tento ser prático e objetivo. Mas esta atitude é evidente que não me corresponde. Sofro e faço sofrer quando entro nesta disciplina.

Pleno, na luz da minha fé, consigo contracenar com a realidade que se me apresenta e entre o suspiro e o impulso, comprovar que meu coração não tem limites para o Amor.

Quando exagero no massacre da minha vontade, caio no personagem da vítima, do mártir e culpo o outro, e o mundo por meus sofrimentos. Depois de sofrer muito com isto, consigo aceitar que para amar ao outro, primeiro tenho que me amar e respeitar. Então em vez de sacrificar o meu mundo pessoal, o que faço é entende-lo e iluminá-lo. Aprender a meditar e rezar foi para mim um grande alento.

Meu estilo encanta e seduz. Meu corpo é modulado para a receptividade; feições arredondadas, aparência sonhadora, romântica, misteriosa; olhos quase líquidos e transparentes, corpo discreto nas suas formas mais infinito no seu acolhimento.

Meu maior sonho é viver na Tolerância, Perdão, Misericórdia, Compaixão. Acredito que todo ser humano é amoroso em sua essência. Quando se manifesta cruel, diabólico, agressivo, é porque têm feridas que o transcendem, geralmente sofrimentos e traumas de criação.

É para mim muito doloroso conviver com o sofrimento e a falta de justiça social. Custa-me aceitar que Deus criou um mundo onde o aprendizado é pela dor, por isto rezo, da minha forma, para ser iluminado a este respeito e poder consolar e ajudar. Rezo e anseio pela paz, alegria e saúde de todos.

Aprendi a suspirar, a expressar as minhas emoções através da arte ou da espiritualidade. Aprendi a me proteger, respeitando a excelência das minhas coisas e dos ambientes em que ando. Por exemplo, gostar de beber num belo copo de cristal não é um sinal de esnobismo, mas sim poder curtir a qualidade da energia que o cristal transmite à bebida.

Do mesmo jeito o significado de minhas pedras de poder, especialmente o quartzo rosa, e por aí todo um conjunto de cuidados que protegem minha extrema sensibilidade e sensitividade. Eu me protejo vivendo na beleza e no amor.

Enquanto mais consigo me cuidar e proteger mais ampla é minha potência de amar. Gosto de servir, e me sacrifico pelo bem do outro com satisfação.

É embaraçoso para mim deixar que as pessoas percebam o quanto sou sensível. Até receio que as pessoas pensem que sou imaturo ou dependente.

Adoro namorar, entregar-me emocionalmente, acolher. A questão é como encontrar a parceria certa. Eu fui feito para amar a Deus ante tudo, e ao próximo como a mim mesmo. O amor entre casal como é vivido na atualidade me afoga e violenta. Especialmente se tratando de sexo. Para mim sexo é uma questão muito delicada e exijo amor e muita cerimônia para praticá-lo.

Quando conheci a arte do amor e do sexo segundo o Taoísmo ou o Tantra consegui encontrar um caminho onde posso viver minha sensibilidade e sensualidade com proteção e liberdade.

Para mim o sexo é tão forte, que só gosto o viver sagradamente. Enquanto não aprendi viver o sexo com toda a cerimônia que merece sempre me senti frustrado, violentado e até culpado. Sexo é além do prazer ejaculatório, é a dança encantada de duas almas que de tanto amor, beleza e entrega não se importam com os comandos do corpo para viverem a festa da união enamorada. Ejacular nesta hora, é como a queda de um cavalo que estava por se transformar em cavalo-alado.

Visualizo o romance perfeito. Meu parceiro ideal é um anjo, um deus ou deusa, um artista feito homem ou mulher. Mas enquanto não for assim, me esforço em me abrir para o amor, mas confesso que sofro com as indelicadezas e grosserias. Sonho com relacionamentos bonitos, românticos e cheios de atenções e poesia. Percebo que as pessoas problemáticas, o pássaro ferido também me atrai. Sei que posso curá-lo ou ele pode me curar. Algo de mágico acontece. Isso é uma troca, porque precisamos demais uns dos outros.

Valorizo também as parcerias que me ajudam a ter fio terra e a me organizar na vida. Principalmente se o fazem com magia, delicadeza e amor.

Posso me elevar às alturas, e ao mesmo tempo receber aos outros tais como são.

Levei muito tempo, para me libertar da carga de sofrimento de meus pais e familiares, e especialmente da minha mãe. Minha mãe ideal é uma espécie de Virgem Maria. Na atualidade, curto os meus pais com compaixão e gratidão, reconhecendo suas limitações, mas também seus dons e alegrias.

Na atualidade minha mãe é minha irmã. Minha verdadeira mãe está em mim ou é a Natureza, ou as deusas em que acredito.

Às vezes sinto como se estivesse embebido pelo AmorUniversal, e é uma delícia. No fundo, sinto que todos nos amamos, e que se não conseguimos, é por traumas na vida.

Somos, todos, filhos de Deus e chegará o dia que reinaráo Amor e a Felicidade na Terra.

Fico muito feliz ao saber que existiram seres humanos que conseguiram amar incondicionalmente, tais como Buda, Krishna, Jesus, Maria, Maomé, Zoroastro, Gandhi, todos os Santos e Santas, os Mártires do Amor... e que existem muitas pessoas que como eu estamos juntos no propósito iluminado de viver no amor.

Vivam as piscianas e piscianos!
Vivam as amorosas e amorosos de todos os signos!

Alegria!



Começou o período mais gostoso do ano. O sol em Peixes. Um beijo pra todos os piscianos, como eu.

Obs: Como este signo é cheio de mistérios, é interessante que se utilize este texto como um "manual" para entender pessoas... porque nós somos muito evoluídos para este mundo... e isso, é mais que comprovado. ;)

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

FELIZ ANO NOVO!!

Há quanto tempo não escrevo...
Também não tinha nada o que escrever. Meio que hibernei longamente durante muito tempo, só soltando um resmungo aqui e outro ali. Como esse aí de baixo, sobre o Strossner. Nossa até o Pinochet já morreu! Aliás, até o Saddam Hussein! E esse para mim foi o mais chocante, estava longe de toda a loucura do mundo e de repente recebo essa notícia. Uau!
Será que o Fidel... Ai, cala-te boca!

Acontece que ninguem lê isso e eu uso mesmo só pra vomitar algumas coisas q me entalam e que me pesam. Mas sabe que foi o contrário? Nunca tinha ficado tão magra... que paradoxo! Escrevo pra engordar! :)

Mas o que vim dizer aqui, apenas para mim é que neste período de silêncio eu me encontrei muito. Descobri coisas tenebrosas sobre mim, me vi muitas vezes infeliz e solitária, estive em muitos lugares sem mover um dedo sequer e muitas vezes estive lugares mas de fato não estava ali.

De fato foi um período estranho, mas fundamental na minha maturidade e no meu crescimento como ser humano. Este afastamento foi para nunca mais afastar, este silêncio foi pra nunca mais calar, esta trsiteza foi pra nunca mais me deprimir.

Foi apenas uma metamorfose. E por isso foi dolorosa...

Nunca estive tão certa dos meus princípios, tão feliz comigo mesma e tão focada nos meus ideias.

Espero sinceramente que ninguém passe por uma fase tão profunda e tão soturna, mas que realizem tudo o que desejam com cautela e que sejam muito felizes naquilo que se propõem.

Feliz ANO NOVO!!! Que 2007 seja muito melhor!!