A pior sensação do mundo é a de solidão. Minha avó me contava, que muitas vezes se sentiu completamente perdida e só nas centenárias ruas do centro do Rio. Digamos que minha avó tenha sido uma espécie de flâneur , mas lá com suas limitações de dona-de-casa como horários, faxinas e vida para a família. Ela flanava pelas ruelas do centro para ver a movimentação das pessoas, o que havia de novo na moda, saber das últimas promoções e porque não, sair um pouco de casa, mudar de ares, enfim, flanar.
Dizia ela, que se sentia tão só no meio de toda aquela gente nas ruas que muitas vezes se abrigava em Igrejas para poder, em suas orações, se acalmar. Se via sozinha mesmo no meio de tanta gente. Se sentia só.
Nunca falou o porque disso, mas entendo que muito em sua vida foram privações que talvez acabassem por gerar frustrações. Viver para o marido e para os filhos talvez não fosse os planos de uma menina que fugia de casa para ir aos programas da Rádio Nacional. A seu modo fazia sua rebeldia: ía ao centro “bater-perna”. Mas muitas vezes era lá que sua angústia aflorava.
O que será que tem aquelas ruas estreitas que nos fazem cair em si?Muitas vezes ouvi essas suas histórias e nunca imaginei que um dia eu estaria na mesma situação. Sozinha, no meio da multidão e no Centro. É um vazio inexplicável que te abate e te derruba. Como se de repente caísse a ficha de que sua existência no planeta é completamente inútil.
É algo que vem sem motivo aparente e que não dá pra entender o porquê. Queria muito saber o motivo, mas o vazio que tomou conta de mim e o medo de que ninguém se importasse comigo eram mais fortes que qualquer coisa racional que passasse por meus pensamentos. É estranho sermos aparentemente tão fortes e ao mesmo tempo tão intensamente carentes de atenção, compreensão e carinho.
Muitos têm fama, posição social e papéis sociais diversificados, mas será que eles também não têm lá esses probleminhas que eu e minha avó temos? Será que isso é humano ou é algo de família?
Entrei numa Igreja. Era a única coisa que sabia dar certo com ela e iria dar comigo também. Claro que deu. Mas a sensação de solidão continua em mim. Cada vez que não sou compreendida, cada vez que me sinto diminuída, casa vez que por algum motivo me entristeço e me isolo... me sinto de novo... sozinha... na multidão das ruas do Centro do Rio.
Um comentário:
falando em igreja, devo visitar a do largo do são francisco por esses dias... pra fazer um trabalho de cultura e não sei o que do brasil.
se quiser ir...
beijoca.
ps: é bom "ler vc" de novo!
Postar um comentário