sexta-feira, 18 de novembro de 2005

crescer... e quem sabe aparecer!

Um dia eu cresço... ahh eu juro que cresço! Engraçado é que me imagino crescendo e pisando na cabeça daqueles que mais gosto... infelizmente daqueles que me conhecem bem. Me imagino crescendo e pisando com um salto agulha a cabeça deles.... como se eu os tivesse superado... como se eu subisse e cagasse na cabeça deles. Sei que isso, infelizmente, é impossível, mas metaforicamente é o que eu almejo todos os dias ao levantar. Pisar na cabeça de alguém? Não, tsc, que isso... apenas crescer.

terça-feira, 15 de novembro de 2005

O tradutor da minha alma... sempre!

Morena dos Olhos D'Água

Morena dos olhos d'água, tire os seus olhos do mar
Vem ver que a vida ainda vale o sorriso que eu tenho pra lhe dar
Descansa em meu pobre peito, que jamais enfrenta o mar
Mas que tem abraço estreito, Morena, com jeito de de agradar
Vem ouvir quantas estórias que por seu amor sonhei
Vem saber quantas vitórias, Morena, por mares que só eu sei
O seu homem foi embora prometendo voltar já
Mas as ondas não tem hora, Morena, de partir ou de voltar
Passa a vela e vai-se embora, passa o tempo e vai também.
(ChicoBuarque)

Só o Chico mesmo para ao cantar essa música e me fazer, pretensiosamente, crer que esta foi feita pra mim.
Só ele para acalentar meu peito nesse momento de contemplação, onde perco meus olhos num horizonte tão incerto e perdida diante de tantos contratempos me sinto completamente atônita diante dos fatos.
Ele me deu força ao cantar isso. Interessante como a música pode fazer-nos sentir tocados por sua letra e melodia. E essa foi fundamental para mim nesse momento.
Apenas a parte da morena dos olhos d'água é que não rola. Eu tenho espelho em casa. Infelizmente. :)

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

Erotismo e frustração

Li uma longa matéria no "Valor Econômico” que trata sobre pornografia e sua interferência no nosso cotidiano. De cara, estranhei o uso da palavra pornografia, que eu trocaria por excesso de erotismo ou qualquer coisa menos alarmista, mas se pornografia é tudo aquilo que incita a sexualidade, talvez o uso do termo seja exato e estejamos mesmo em plena overdose de algo que parece apenas divertido, mas não é apenas divertido. Às vezes, não é sequer divertido.

Pornografia era aquilo que buscávamos fora de casa, nos cinemas com programação especializada, em shows para adultos, em lugares quase clandestinos, o que favorecia a excitação. Então surgiu o videocassete e a pornografia entrou em casa, já não era preciso consumi-la na rua. Mais um pouquinho e veio a TV a cabo e a internet, e o que era um prazer com ares de ilícito passou a ser escancarado e de livre acesso a qualquer um, em qualquer horário. O sexo trivializou-se, o corpo passou a ser mais valorizado que o cérebro e uma certa estética libidinosa ganhou todos os espaços — mídia impressa, eletrônica e virtual, manhã, tarde e noite.

Tudo em nome da liberdade, que é sagrada. Mas até onde a gente avançou ou retrocedeu? Antes as mulheres se queixavam quando eram tratadas como objetos sexuais, agora fazem questão absoluta de sê-lo. Quem não tem peitão, bundão e bocão — ou tiver e não fizer bastante uso deles — está fora do jogo, não é deste século, perdeu o bonde da História. É este o recado que a gente recebe 24 horas por dia através de cartazes publicitários, cenas de novela, sites da internet. Seja boazuda ou morra.

Sexo é a coisa mais formidável que existe, em todas as suas formas e variações, exceto com crianças. Sexo é saudável, natural, alegre, dinâmico, valioso, essencial. E o mais importante: íntimo. Assunto seu. Assunto meu. Particular. Exclusivo. Secreto. Algum mistério a gente tem que preservar nesta vida, senão qual é a graça?

Sem algum pudor e mistério, barateamos nosso preço. Vamos todos para as prateleiras de R$ 1,99. Fica todo mundo à venda. “Quero dar muito beijo na boca” é a frase mais repetida por aí. Eu também quero, a empregada lá de casa também, nossos primos, nossos psicanalistas, todo mundo quer uma fatia deste bolo, está todo mundo morto de tesão. Só que sexo não mata todas as nossas fomes.

Algumas pessoas têm transado pra caramba e estão afundadas em frustração. Outras não têm transado nada e estão atoladas na mesma frustração. Tudo parece tão fácil, tão ao alcance, é só pegar... Uns vivenciam, outros fantasiam, e a insatisfação é a mesma, nosso isolamento emocional lateja, o espaço pro sentimento é quase nenhum. E dizer que esta fartura de sacanagem um dia foi nosso sonho de consumo.

Nem pensar numa reação puritana ou em abrir a guarda para que tentem nos converter, resgatar, trazer de volta ao rebanho, essas coisas que envolvem sermões intermináveis e lavagens cerebrais. Creio que podemos dar conta sozinhos desta encrenca em que nos metemos, talvez tentando controlar nossa ansiedade dedicando-nos mais aos livros do que à TV, mais à música do que ao computador, mais ao silêncio do que às baladas. Não virando refém de modismos e muito menos entrando em ondas que não são a nossa. Não acreditando em tudo o que se vê e em tudo o que se diz: ninguém está assim tão mais feliz que a gente. Mas há os que estão bem à vontade, sim. Geralmente são aqueles que não se rendem a esta vulgarização explícita e ainda preservam uma certa pureza original, que é muito bem-vinda. O sexo pelo sexo, superexposto no dia-a-dia, nos tenta, nos tonteia, mas não responde quase nada do que realmente queremos saber sobre nós mesmos.
(Martha Medeiros, jornal O Globo, Rio 04-11-2005)

"Roubei" este artigo porque achei simplesmente SENSACIONAL! Os artigos dela são maravilhosos, mas esse foi a tradução exata do que penso sobre o assunto. Sem falso puritanismo. Perfeito! Concordo em gênero, número e grau.

A quantidade de erotismo que nos é jogada no colo ou esfregada na nossa cara tem andado lado a lado com a frustração... sem citar nomes, todos nos lembramos de alguém que já tenha nos confessado seus fracassos e eu não sei se isso ocorreu com vocês, mas aos meus ouvidos essas histórias parecem se repetir cada vez mais. Ou seja, o que era pra ser algo legal acabou se tornando nocivo para nós pobres seres humanos, tão frágeis e sempre tentando parecer tão fortes e independentes.

Ao vermos uma "gostosa" ou um "gostoso" na TV, outdoor, capa de revista e os desejamos, puramente pelo apelo sexual que ele/ela nos oferta, nos esquecemos que ali por trás daquele olhar de "cafajeste" ou por trás daquele sorriso de "safada" tem um ser humano cheio de carências, inseguranças, problemas, personalidade... enfim, um ser HUMANO.

Por isso achei tão relevante este artigo, por isso o pus aqui e por isso gostaria que lêssem.

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

As ruas do centro do Rio

A pior sensação do mundo é a de solidão. Minha avó me contava, que muitas vezes se sentiu completamente perdida e só nas centenárias ruas do centro do Rio. Digamos que minha avó tenha sido uma espécie de flâneur , mas lá com suas limitações de dona-de-casa como horários, faxinas e vida para a família. Ela flanava pelas ruelas do centro para ver a movimentação das pessoas, o que havia de novo na moda, saber das últimas promoções e porque não, sair um pouco de casa, mudar de ares, enfim, flanar.

Dizia ela, que se sentia tão só no meio de toda aquela gente nas ruas que muitas vezes se abrigava em Igrejas para poder, em suas orações, se acalmar. Se via sozinha mesmo no meio de tanta gente. Se sentia só.

Nunca falou o porque disso, mas entendo que muito em sua vida foram privações que talvez acabassem por gerar frustrações. Viver para o marido e para os filhos talvez não fosse os planos de uma menina que fugia de casa para ir aos programas da Rádio Nacional. A seu modo fazia sua rebeldia: ía ao centro “bater-perna”. Mas muitas vezes era lá que sua angústia aflorava.

O que será que tem aquelas ruas estreitas que nos fazem cair em si?Muitas vezes ouvi essas suas histórias e nunca imaginei que um dia eu estaria na mesma situação. Sozinha, no meio da multidão e no Centro. É um vazio inexplicável que te abate e te derruba. Como se de repente caísse a ficha de que sua existência no planeta é completamente inútil.

É algo que vem sem motivo aparente e que não dá pra entender o porquê. Queria muito saber o motivo, mas o vazio que tomou conta de mim e o medo de que ninguém se importasse comigo eram mais fortes que qualquer coisa racional que passasse por meus pensamentos. É estranho sermos aparentemente tão fortes e ao mesmo tempo tão intensamente carentes de atenção, compreensão e carinho.

Muitos têm fama, posição social e papéis sociais diversificados, mas será que eles também não têm lá esses probleminhas que eu e minha avó temos? Será que isso é humano ou é algo de família?

Entrei numa Igreja. Era a única coisa que sabia dar certo com ela e iria dar comigo também. Claro que deu. Mas a sensação de solidão continua em mim. Cada vez que não sou compreendida, cada vez que me sinto diminuída, casa vez que por algum motivo me entristeço e me isolo... me sinto de novo... sozinha... na multidão das ruas do Centro do Rio.

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

O início

Começar alguma coisa é sempre complicado. Temos a impressão de que nunca consiguiremos realizar as coisas de maneira correta. Muitas vezes a sensação de desânimo toma conta e pensamos, e muitas vezs, desistimos. ah não desistem? I'm sorry... eu desisto. Já larguei tantos cursos, tantos caminhos e tantas oportunidades pelo caminho que já perdi a conta.
Mas este blog na verdade é um recomeço. E recomeçar é muito mais difícil e isso por si só é muito mais interessante... pelo menos pra mim. Acho que a vida é um eterno recomeço. Todos os dias ao acordar estamos recomeçamando, temos uma nova chance de tentar e porque não acertar. Não que acertar seja um objetivo, mas porque não tentar?
Já tive muitos blogs e já escrevi muita babaquice e muita coisa bacana, já pus ali coisas do fundo do meu coração e outras do fundo do meu estômago (You know what I mean?). Mas com certeza algumas coisas ficaram pra trás. coisas que têm mesmo de ficar e a tentativa desse blog é exatamente essa... renovar.
Mas renovar com o mesmo nome, para provar que mesmo sendo diferente continuo leal a quem/o que amo... SEMPRE!
ALL YOU NEED IS LOVE, my friends. Welcome back.