Happiness is not a Gun

Espaço exclusivo de verborragia explícita de uma pobre coitada que acha que ser inteligente ainda será sua salvação nesta ou em outra vida.

Nome:

Um ser humano, que assim como você, exige respeito.

Domingo, Fevereiro 07, 2010

Vida errante que segue tendo como bússola um coração em descompasso, que se perde em devaneios tristes de uma existência sofrida e lutando para que este sofrimento se transforme em felicidade.
Esperança iludida, sofrida e maldita que emperra a razão de seguir seu curso e abraçar a vida como ela se mostra aos nossos olhos.
Amor que não se sente, vida que não se compartilha, vontade que não se tem e solidão ainda mais dolorida.
Felicidade inconstante que não nos preserva dos desgostos profundos que encaramos.
Compaixão que não se aprende. Ou se tem ou simplesmente não se tem, mas que às vezes se perde diante de tamanha desilusão.
Tristeza que nos consome ao ponto de solidificarmos atitudes, gestos e emoções.
Sorriso esquecido, rosto talhado, sensação de desamparo e muitos cigarros. Eis mais um final infeliz.

Sexta-feira, Agosto 14, 2009

As vespas

Será que existe pior sensação do que se tornar a pior versão de si mesmo?
Ver que você é tão inútil, tão vazia e tão insignificante quanto muitos outros que você com certeza apontaria?

É algo mais que humilhante retirar a carapaça a qual nos mantemos como seres sociais e vermos o quão suja é nossa alma diante de todo o resto. Na verdade, acreditamos que essa carapaça seja a nossa pele, mas ela não é. Esta, apenas nos protege a fim de que ninguém perceba que somos seres absolutamente falíveis.

Pior que ter a carapaça perdida, é sentir-se desnuda em frente a alguém que já te conheça o suficiente para ver além desta e apontar os defeitos e imperfeições que talvez sejam duradouros e que talvez você não tenha percebido como começou mas sem dúvida sabe no que se transformou.

Parecer forte diante da humanidade é algo infalível para mantermos a cautelosa distância, mas e quando se chega mais perto? O que fazer quando alguém retira as suas máscaras e despe-te da carapaça? No momento minha resposta é a mais infeliz das respostas. Sinto-me nua. Sinto-me imunda. Sinto-me tão envergonhada quanto aquele sonho de estar pelada no meio da rua.

Não há o que esconder. Está merda sou eu! Coberta de defeitos, com qualidades totalmente ofuscadas por uma incompreensível incapacidade de não errar.

Que diabo de ser humano falível sou eu?
Que triste e infeliz existência é essa?
Que amargura é essa que me consome e transborda pela minha boca?
Que infelizes palavras são essas com tanto poder para fazer o mundo voltar-se contra mim?
Que falta de atitude é essa, que me faz atrair tanto desgosto e que não me dá energia para lutar?

E ao lutar por mim, enfim, vestir a carapaça de novo e não permitir que ninguém mais me dispa novamente. Jamais.

Sexta-feira, Outubro 31, 2008

Pensamentos de celular

"Observar a vida dos outros sempre será para mim algo por demais vazio. Mas olhar a mim mesmo sempre será por demais doloroso."


"Quando estamos em silêncio talvez seja o momento de maior barulho na nossa alma."


"Quando as mágoas sequer são lembradas só há duas respostas: ou o amor venceu ou ele simplesmente não existe mais."


"Na maioria das vezes a felicidade é destruída em pequenos gestos, enquanto à tristeza é preciso um verdadeiro acontecimento."


"Namorar é enamorar-se todo dia. É sentir-se acolhido pela brisa, é entender a beleza das flores e sentir-se pleno diante da vida."


"A gota d'água é o limite que o ser humano, que ama com o coração, encontra para se proteger/defender da fria e sórdida razão."


"O que os contos de fada não ensinam é que não há final feliz na vida real."


"Amar sem ser amado, viver sem ser correspondido, lutar sem chance de vencer são encruzilhadas sem esperança de felicidade."


"O primeiro passo da cura de um grande amor é a incerteza deste sentir."


"A página foi virada e nela ficam as lembranças de uma vida vivida, mas nasce assim a ansiedade sobre as que ainda serão escritas."


"Há sofrimento no mundo para olharmos com dignidade para a felicidade."


"Saudade de algo que eu não quero.
De um passado que eu não vi.
De uma vida que eu não tive.
De um amor que eu nunca senti.
De um tempo que nunca foi o meu.

Vontade de me jogar nesse desejo
que eu não tenho,
nesse amor que eu não sinto...
E que ninguém mais sabe sentir."

Segunda-feira, Outubro 13, 2008

Todo dia olho meu horóscopo para encontrar a resposta que a vida não me deu.

Sexta-feira, Agosto 22, 2008

Acabô

Acabô...
Sem lé com cré
Sem pingo em “i”,
Sem eira nem beira,
Sem quê nem por que.

Acabô...
Porque acabo.
Porque nunca de fato começô.
Porque se dá mais sorriso com outro,
Mais abraço em amigo,
Mais beijo em parente e
Se diverte sozinho.

Acabô...
Porque não se é mais honesto,
Não se vê alma nem dor,
Futuro ou cor,
Andor nem calor.

Acabô...
Porque se sente vazio,
Se olha pro escuro,
Se perde no abuso e
Desmaia em pavor.

Acabô.
Sem choro nem vela,
Sem festa nem queijo,
Com suspiros de alívio e
Com a cabeça serena.

De que quando a alma não é pequena,
Se atira no incerto,
Para ver se da vida
A gente acerta a felicidade
Mirando numa lealdade
Que já não se encontra no amor.

Segunda-feira, Agosto 18, 2008

Pensamentos flutuantes

"And in the end,
the love you take
is equal to the love
you make."
(Lennon e McCartney)
“Nada de grande se realizou no mundo sem paixão(...)São precisamente as paixões que, na história, agem como forças naturais não ulteriormente separáveis, como elemento ativo do processo, como propulsores da máquina da história” (Hegel)



A vida ainda é muito simples, infelizmente, nós, seres humanos, criados como ser pensantes destruímos um pouco o ideal de que por sermos capazes de raciocinar, somos então superiores. E assim sendo, caminhamos para a destruição total a passos largos, porque já que nos sentimos superiores olha o que a humanidade fez no planeta e teima em continuar fazendo. Olhe para Israel e Palestina, Sérvia e Bósnia, Itália e imigrantes, Tibet e China e agora para Rússia e Geórgia. São tantos os conflitos, tanta é a barbárie que fica difícil olharmos para o mundo e sermos positivos como Rousseau, é cada vez mais nítido que Hobbes era quem estava mais certo: “O homem é o lobo do homem”.

Infelizmente, me recuso a aceitar isso. Talvez fosse mais fácil, mas eu não consigo aceitar que nós podemos ser tão diabólicos. Na verdade consigo, mas não posso fazer parte nem admitir que bebês lindos cresçam e se transformem em capitalistas workaholics que passam por cima de outras pessoas, sejam colegas de trabalho ou até mesmo de nações ainda dependentes financeiramente de outras. Pessoas que em nome da luxúria, passam por cima do sentimento das pessoas que os amam, em nome do prazer imediato se fecham em seu mundo de vícios e em nome do dinheiro se tornam cada vez mais máquinas com uma caixa registradora no lugar de sua consciência.

A humanidade visivelmente está em colapso e talvez seja eu, que meio flaneur pós-moderna vejo a loucura das ruas, do trânsito, dos morros cariocas, das festas e de tudo a meu redor, estar praticamente a ponto de explodir a qualquer momento. A impressão que dá é que cada um está programado para o apocalipse e ele é aqui e agora, portanto salve-se quem puder, ultrapasse o sinal vermelho, se entorpeça mais um pouco, dê mole para o amigo do seu namorado, porque afinal, o mundo está acabando mesmo.

Isso está nos destruindo e nos envelhecendo a passos largos, estamos nos descontrolando por tudo e estamos deixando de lado as coisas que de fato importam e que são justamente as mais bem exploradas pelos comerciais, que absolutamente, não podem ser o “I Ching” para uma vida melhor já que a eles só interessa vender.

Não importa se temos ou não a vida que sonhamos quando tínhamos 10 anos de idade e achávamos que não conseguiríamos trabalhar como nossos pais. O importante não é o sucesso alcançado e sim reconhecer a beleza de ter lutado, de ter se esforçado e, é claro, no fim de ter vencido. Mas é o caminho, a trajetória da nossa vida, quando estamos geralmente focados apenas no resultado, é nesse momento em que somos mais felizes. É quando chegamos cansados mas recebemos uma promoção, um reconhecimento ou uma simples boa nota numa prova.

É ruim estarmos sozinhos quando olhamos ao redor e percebemos que a “humanidade” está acompanhada. Mas estar junto é sinônimo de felicidade? Ter alguém a seu lado, não importando quem seja, não priorizando este relacionamento na sua vida, é sinônimo de relacionamento? Estar namorando, casado, qualquer que seja o rótulo do relacionamento é comprometer-se com o outro, é querer conhecer e conhecendo é pertencer a vida daquela pessoa. Um relacionamento não é um parecer-se com o outro ou ter os mesmos gostos e os mesmos hábitos. É enamorar-se com um sorriso, em vê-lo(a) com uma roupa nova, é ver a pessoa amada crescer e envelhecer a seu lado e senti-la presente mesmo nos momentos em que ela sequer está a seu lado. É querer ela em todos os lugares, mas tê-la apenas em mente em alguns, porque ninguém é gêmeo siamês para andar somente junto. É alegrar-se em ver o ser amado, é sorrir-se lembrando de situações felizes, é entregar-se sem medo e ver que é correspondido. É aprender a ser melhor, é estar conhecendo sempre coisas novas, é interessar-se por aquilo que mais empolga aquela pessoa, é ver-se nos olhos inebriados dessa pessoa que tanto lhe quer bem. Quantos casais vemos que simplesmente se aturam dia após dia como se fosse uma obrigação TER alguém ao seu lado e não AMAR esse alguém.

Temos de nos dar conta de que a vida pode não ser fácil, pode nos fazer chorar muito, pode nos derrubar muitas vezes, mas não importa quantas vezes nos sentirmos derrotados e infelizes. Somos vencedores por estarmos aqui, por respirarmos, por estarmos vivos e sendo assim, o mundo é o limite para todos nós, basta a gente querer e buscar nosso espaço, sem passar a perna em ninguém e sem machucar os outros. Às vezes, sem querer acabamos ferindo alguém, mas temos de ter a honra de reconhecer nossos erros e, se for o caso, voltar atrás, mostrar que erramos porque afinal, somos falíveis sim, e daí? Não é vergonha nenhuma errarmos, nos desesperarmos e nos sentirmos tristes. Maldita seja essa sociedade hipócrita que nos força a sermos sempre felizes e sorridentes. Somos seres felizes graças à tristeza, foi ela quem nos ensinou o valor de ser feliz, se fôssemos sempre felizes não daríamos valor algum a nossa felicidade.

Para nos mantermos sãos física e mentalmente, devemos nos encontrar com as pessoas que nos fazem bem, nos alegrar com o sorriso de uma criança, com uma borboleta que pouse em nosso nariz. Devemos aprender a ser pessoas mais simples, mais honestos conosco e com o mundo, sem ferir ninguém devemos nos comprometer a ser mais verdadeiros. Devemos ser mais pacientes com os mais idosos, devemos tentar acompanhar a energia das crianças, devemos tentar amar até aquelas pessoas que para nós são insuportáveis, mas devemos buscar o porque disso e dar uma chance a elas. Se não conseguirmos sermos um catalisador de paz, amizade, bondade e compaixão, como desejaremos a paz? Se não conseguirmos amar ao próximo, expressar nosso amor a quem a gente ama, ser amoroso(a) com quem nos cerca, como o mundo se tornará mais amável? A grande revolução do terceiro milênio se dá da maneira mais simples e tem de ser um compromisso de cada um de nós: começa dentro de nós, alcançando primeiramente nossos familiares e amigos, chegando até a humanidade e porque não ao planeta. Assim seja.

Sexta-feira, Março 28, 2008

Que vontade é essa que eu sinto de me tomar num gole só? Que instante é esse onde eu não mais me vejo e nem mais me encontro?
Que medo é esse de dar um passo, de andar sozinha, de ser eu mesma?
Que dificuldade é essa?
Será que foi essa a sensação que tive quando comecei a engatinhar?
Será que se mover é tão mais difícil do que ser adulta?
E a dor sufocante do ar pela primeira vez nos pulmões? Deve ter sido desalentadora. Um trauma que nem Freud saberia explicar. Talvez não haja maior desafio no mundo contemporâneo que dar o grande passo. Aquele o qual parece ser tão fácil para outras pessoas. As outras pessoas. Que mania temos de olhar para os lados e só tomarmos também como exemplo o bem sucedido.
Bendita seja a sociedade capitalista que nos mostra que para cada bem sucedido há milhões de seres explorados. Bendito também morar no Rio de Janeiro, que nos engole a cada dia com sua explícita desigualdade social.
Nossa, como pude dar graças a algo tão contra meus princípios, tão contra meus ideais... é talvez eu esteja apenas aposentando a minha camisa do Che. Apenas começando a ver no horizonte que há algo de muito bom. Algo que também me afastará um pouco dos meus sonhos, dos meus desatinos para cair de vez e de cara no mundo real.
É. Passei em mais uma prova. E que vazio é esse que eu sinto? É o vazio já que a minha alma está indo embora...