quarta-feira, 25 de junho de 2014

Looking through a glass onion

Há dez anos atrás eu operei a minha miopia e foi das melhores coisas que fiz na vida. Super indico e amei o resultado, mesmo tendo me tornado uma dependente de óculos escuros até em dias nublados. Pois depois de dez anos dessa liberdade que só um míope sabe que é viver sem óculos eu terei que retornar a esta muleta maldita.
Estiloso para uns, os óculos para mim sempre foram um terror. Mas aí vim pensando no caminho para casa. Fazendo um paralelo com a minha vida os óculos na verdade sempre existiram na contramão do meu estilo de vida. Primeiro, na adolescência, quando o mundo se abria à minha frente com todas as possibilidades que só a juventude nos trás sejam elas positivas ou negativas ele surgiu como um freio, um limitador e um erro em todos os meus modelitos o que na adolescência é um drama à parte. Depois, quando me libertei dos óculos entrava numa fase da vida onde não era adulta nem criança, cheia de convicções imaturas e uma latente insegurança de sentimentos e atitudes que só os 20 e poucos anos nos trazem. Mas era livre dos óculos! Enxergava longe e como ex-míope então, com olhos de lince. Mas a vida, ah, essa eu via embaçada e muitas vezes de maneira bem equivocada algo que nos damos conta depois com a tal da maturidade.
Cá estou eu agora, na plenitude de sentimentos, posturas e ideias e tenho novamente de por os óculos como numa metáfora de que apenas sou livre com auxílio “de aparelhos”. Foi chato saber que tenho que usá-los novamente. Sou grata aos dez anos que eles saíram da minha vida e não vou me lamentar por tê-los novamente na bolsa. Sim, ainda não é para usá-lo como antes. Apenas usarei de vez em quando. Num filme com legenda, no final de um dia inteiro olhando para uma tela e no fim do dia para enxergar o número do ônibus (a maldita hora que “todos os gatos são pardos” é o TERROR para quem é míope).
Bem vindo novamente à minha vida. Só não se sinta o senhor da minha vida novamente, por favor. A senhora da minha vida hoje e sempre sou eu.

Eu voltei... ♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫

Sumida! Eu? Não...
Estava lambendo as feridas, vivendo um pouco, caindo e levantando, degustando novos sabores, curtindo novas pessoas, saindo do casulo de uma alma pela metade para o desabrochar de uma plenitude balzaquiana que nem eu imaginava que pudesse ser uma fase tão verdadeira e tão feliz.
Mas aí veio novamente aquela inquietude. Aquela vontade de expor alguma coisa que lá dentro sabemos que não é apenas uma exposição, mas uma necessidade gutural de expressar-se ou apenas tagarelar sobre... O quê? Aí que não sei! Sobre o que falar?
Gosto de cinema mas não tanto para falar só disso. Amo música mas se hoje escuto Queens of the Stone Age todos os dias, no ano seguinte posso voltar a ouvir Chico Buarque da maneira devotada que era em meados da década passada. Sobre política, claro! Sou polêmica, sou metida a sabe tudo, uns me chamam de petista, outros comunista, muitos devem me achar uma revolucionária da era Facebook. Pô, mas também não acho que sou preparada para falar de política sem um embasamento político e filosófico para tratar sobre este assunto com a propriedade que um comentarista político possui seja pelo estudo ou até mesmo pelo hábito jornalístico. Caramba! Gosto de muita coisa, mas de nada que eu me sinta plenamente segura para falar e nem que eu queira também me dedicar exclusivamente sobre.
Hummm... parece o stress da época de decidir o que fazer no vestibular. Gosto de muita coisa e de nada tão fervorosamente.
Bom, que seja!
Vou falar sobre tudo, porque nada mais tudo que o nada! E isso, ah, isso Jerry Seinfeld me ensinou que pode ser algo perfeitamente genial. Mas eu também não sou gênio e muito menos quando comparada a um Jerry Seinfeld da vida, né! Mas o nada tá aí para todo mundo. O nada pertence a qualquer um. Assim como o tudo. Então fica combinado assim. Daqui por diante quando der na telha, quando eu tiver tempo, ou tiver vontade eu venho aqui e dou um pitaco sobre qualquer assunto seja ele polêmico ou trivial, da moda ou démodé, sério ou ridículo.
Voltei.
Sem mimimi e sem juntar lé com crê também.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Vida errante que segue tendo como bússola um coração em descompasso, que se perde em devaneios tristes de uma existência sofrida e lutando para que este sofrimento se transforme em felicidade.
Esperança iludida, sofrida e maldita que emperra a razão de seguir seu curso e abraçar a vida como ela se mostra aos nossos olhos.
Amor que não se sente, vida que não se compartilha, vontade que não se tem e solidão ainda mais dolorida.
Felicidade inconstante que não nos preserva dos desgostos profundos que encaramos.
Compaixão que não se aprende. Ou se tem ou simplesmente não se tem, mas que às vezes se perde diante de tamanha desilusão.
Tristeza que nos consome ao ponto de solidificarmos atitudes, gestos e emoções.
Sorriso esquecido, rosto talhado, sensação de desamparo e muitos cigarros. Eis mais um final infeliz.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

As vespas

Será que existe pior sensação do que se tornar a pior versão de si mesmo?
Ver que você é tão inútil, tão vazia e tão insignificante quanto muitos outros que você com certeza apontaria?

É algo mais que humilhante retirar a carapaça a qual nos mantemos como seres sociais e vermos o quão suja é nossa alma diante de todo o resto. Na verdade, acreditamos que essa carapaça seja a nossa pele, mas ela não é. Esta, apenas nos protege a fim de que ninguém perceba que somos seres absolutamente falíveis.

Pior que ter a carapaça perdida, é sentir-se desnuda em frente a alguém que já te conheça o suficiente para ver além desta e apontar os defeitos e imperfeições que talvez sejam duradouros e que talvez você não tenha percebido como começou mas sem dúvida sabe no que se transformou.

Parecer forte diante da humanidade é algo infalível para mantermos a cautelosa distância, mas e quando se chega mais perto? O que fazer quando alguém retira as suas máscaras e despe-te da carapaça? No momento minha resposta é a mais infeliz das respostas. Sinto-me nua. Sinto-me imunda. Sinto-me tão envergonhada quanto aquele sonho de estar pelada no meio da rua.

Não há o que esconder. Está merda sou eu! Coberta de defeitos, com qualidades totalmente ofuscadas por uma incompreensível incapacidade de não errar.

Que diabo de ser humano falível sou eu?
Que triste e infeliz existência é essa?
Que amargura é essa que me consome e transborda pela minha boca?
Que infelizes palavras são essas com tanto poder para fazer o mundo voltar-se contra mim?
Que falta de atitude é essa, que me faz atrair tanto desgosto e que não me dá energia para lutar?

E ao lutar por mim, enfim, vestir a carapaça de novo e não permitir que ninguém mais me dispa novamente. Jamais.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Pensamentos de celular

"Observar a vida dos outros sempre será para mim algo por demais vazio. Mas olhar a mim mesmo sempre será por demais doloroso."


"Quando estamos em silêncio talvez seja o momento de maior barulho na nossa alma."


"Quando as mágoas sequer são lembradas só há duas respostas: ou o amor venceu ou ele simplesmente não existe mais."


"Na maioria das vezes a felicidade é destruída em pequenos gestos, enquanto à tristeza é preciso um verdadeiro acontecimento."


"Namorar é enamorar-se todo dia. É sentir-se acolhido pela brisa, é entender a beleza das flores e sentir-se pleno diante da vida."


"A gota d'água é o limite que o ser humano, que ama com o coração, encontra para se proteger/defender da fria e sórdida razão."


"O que os contos de fada não ensinam é que não há final feliz na vida real."


"Amar sem ser amado, viver sem ser correspondido, lutar sem chance de vencer são encruzilhadas sem esperança de felicidade."


"O primeiro passo da cura de um grande amor é a incerteza deste sentir."


"A página foi virada e nela ficam as lembranças de uma vida vivida, mas nasce assim a ansiedade sobre as que ainda serão escritas."


"Há sofrimento no mundo para olharmos com dignidade para a felicidade."


"Saudade de algo que eu não quero.
De um passado que eu não vi.
De uma vida que eu não tive.
De um amor que eu nunca senti.
De um tempo que nunca foi o meu.

Vontade de me jogar nesse desejo
que eu não tenho,
nesse amor que eu não sinto...
E que ninguém mais sabe sentir."

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Todo dia olho meu horóscopo para encontrar a resposta que a vida não me deu.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Acabô

Acabô...
Sem lé com cré
Sem pingo em “i”,
Sem eira nem beira,
Sem quê nem por que.

Acabô...
Porque acabo.
Porque nunca de fato começô.
Porque se dá mais sorriso com outro,
Mais abraço em amigo,
Mais beijo em parente e
Se diverte sozinho.

Acabô...
Porque não se é mais honesto,
Não se vê alma nem dor,
Futuro ou cor,
Andor nem calor.

Acabô...
Porque se sente vazio,
Se olha pro escuro,
Se perde no abuso e
Desmaia em pavor.

Acabô.
Sem choro nem vela,
Sem festa nem queijo,
Com suspiros de alívio e
Com a cabeça serena.

De que quando a alma não é pequena,
Se atira no incerto,
Para ver se da vida
A gente acerta a felicidade
Mirando numa lealdade
Que já não se encontra no amor.